´´A arte é o oposto da natureza. Uma obra de arte só pode provir do interior do homem. A arte é a forma da imagem formada dos nervos, do coracao, do cérebro, e do olho do homem. A arte é a compulsao do homem para cristalizacao. A natureza é o único grande reino de que a arte se alimenta. A natureza nao é apenas o que o olho pode ver. Ela mostra também as imagens interiores da alma. As imagens que ficam do lado de trás dos olhos.´´ Edvard Munch, Arte e natureza, 1907 ´´Um conselho, nao pinte excessivamente de acordo com a natureza. A arte é uma abstracao, extraia-a da natureza meditando diante dela e pense mais na criacao que resultará, é o único meio de subir em direcao a Deus fazendo como nosso divino mestre, criar.´´ Paul Gauguin Abstracao, 1888 ´´O aparecimento da arte abstrata é um sinal de que ainda há homens capazes de afirmar o sentimento no mundo. Homens que sabem respeitar e seguir seus sentimentos íntimos, por mais irracionais ou absurdos que a princípio possam parecer...´´ Robert Motherwell ´´...É evidente, portanto que a harmonia das cores repousa essencialmente no princípio de se tocar com um certo propósito a alma humana. Tal conceito deve ser caracterizado como o princípio da necessidade interior.´´ Wassily Kandinsky ´´o efeito da cor´´,1911 ´´Algo na pintura permanece inacessivel às palavras, incapazes de dizer o que só se oferece ao olhar.´´ Rainer Maria Rilke ´´Quando um espectador observa uma pintura, ele senti algo em relacao, esse sentir pode ser dado devido a bagagem de conhecimentos do individuo, ou a sensacao. Essa bagagem de conhecimentos, acarreta em saber dar um significado a obra, já a sensacao, ela diz o significado sem saber distingui-lá.´´ Carlos Drummond de Andrade No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. ´´A execução na pintura deve sempre ter improvisação.´´ Eugène Delacroix ´´a busca da novidade e originalidade é uma necessidade artificial que apenas deriva da banalidade e ausência de temperamento´´ Paul Cézanne, conforme Léo Languier Goethe dizia: “As pessoas em geral sentem grande prazer com a cor. O olho necessita dela tanto quanto da luz.´´ Segundo Merleau-Ponty: ´´Quando o ser humano se depara com algo que se apresenta diante de sua consciência, primeiro o nota e o percebe em total harmonia com sua forma, a partir de sua consciência perceptiva. Após perceber o objeto, este entra em sua consciência e passa a ser um fenômeno. Com a intenção de percebê-lo, o ser humano intui algo sobre ele, imagina-o em toda sua plenitude, e será capaz de descrever o que ele realmente é. Dessa forma, o conhecimento do fenômeno é gerado em torno do próprio fenômeno.´´ Para Merleau-Ponty, o ser humano é o centro da discussão sobre o conhecimento. O conhecimento nasce e faz-se sensível em sua corporeidade. Texto muito bom para debate.. Para que serve a Arte Contemporânea? O título contém já uma falácia. A arte não tem de obrigatoriamente de servir para nada. Ou tem? Partamos do princípio que sim, que tem de ter alguma utilidade, mesmo que seja do universo mais íntimo e pessoal e nunca chegue a ser vista por mais do que meia dúzia ou, no limite, uma pessoa apenas. Este é um post muito pessoal, com uma opinião muito pessoal. Noutro dia, em conversa ao almoço, ouvi sobre a arte contemporânea uma frase que não ouvia há muito tempo: “até eu fazia aquilo”. Apercebi-me, após três livros escritos com muito suor que é no verbo fazer que está a diferença. A arte não está nos museus e nas galerias, nas livrarias e nas salas de cinema e de concerto, não está nas paredes e nunca, nunca está acabada. A arte é um verbo, como o amor (já lá diziam os Massive Attack), é uma acção, é uma palavra de “fazer” e não de “estar”. Por isso é que nem toda a gente é artista. Pode ser-se artista por ter talento indizível, por se querer ganhar dinheiro, por se trabalhar sem dormir, por se ser psicologicamente instável, por intuição ou racionalidade puras, por raiva, por amor, por tristeza ou imensa alegria, mas nunca se pode ser artista parado. Um artista é alguém que faz. É alguém que age sobre um motivo, seja ela a beleza ou o nojo, a morte ou uma lata de sopa de tomate. E ao fazer, mesmo que nunca fosse essa a sua intenção, interroga. A si próprio, aos que o rodeiam ou ao passado, a toda a sociedade ou apenas a uma restrita plateia. É claro que nem toda a arte nasce igual, porque por muito que quiséssemos, nem todos colocamos as mesmas perguntas da mesma maneira, com a mesma acuidade; uns serão recordados para sempre, outros cairão no esquecimento, alguns poderão ser redescobertos passados duzentos anos, a maior parte será apenas mais uma pincelada no espírito do tempo. Todo este preâmbulo para ter uma opinião. A arte contemporânea está em grande parte mercantilizada e industrializada. No princípio do século passado, Duchamp demonstrou que bastava mudar o urinol de sítio e posição para ele nos interrogar como, digamos, um quadro. Não é por grandes obras serem produzidas por génios desplicentes que acabam a ganhar fortunas que devemos, numa espécie de snobeira invertida, desprezá-los. Apenas os critérios mudaram e a arte deixou de ser, dominantemente, a arte do “belo”. Hoje, a arte, como grande parte da actividade humana, é a procura de limites, interiores e exteriores, visuais e materiais, de tempo e espaço, usando como plasticina todas as tecnologias ao dispor do artista, do clássico escopro ou pincel a robots no limite da consciência, a instalações vídeo, camas com lençóis sujos ou... quadrados pretos sobre fundo preto. Lsoares AvatarLuis Soares é escritor e colabora com o obvious. Mais informações e textos deste autor no seu blog pessoal: blog.luis.soares Àtimo de pó Entre a célula e o céu O DNA e Deus O quark e a Via Láctea A bactéria e a gálaxia Entre agora e o eon O íon e o Órion A lua e o magnéton Entre a estrela e o elétron Entre o glóbulo e o globo blue Eu. um cosmos em mim só Um àtimo de pó Assim: do yang ao yin Eu e o nada. nada não O vasto. vasto vão Do espaço até spin Do sem-fim além de mim Ao sem-fim aquém de mim Den' de mim Gilberto Gil Carlos Rennó ´´Ás vezes, vemos uma nuvem com aspecto de dragão ; Ãs vezes um vapor como um urso, ou um leão, Uma cidade com torres, uma rocha pendente, Uma montanha com dois picos, um promontório azul Coroado de Àrvores ; formas de ar que, Acenando para o mundo, se riem de nossos olhos.´´ SHAKESPEARE, Antonio e Cleopatra, IV, 14. Robert Smithson, em um texto, ( Uma sedimentação da mente: projetos da terra.), diz: ``a superfície da terra e as ficções da mente têm um modo de se desintegrar em regiões distintas da arte. Vários agentes, tanto ficcionais quanto reais, de alguma maneira trocam de lugar em si – é impossível evitar o pensamento lama centro quanto se trata de projetos da terra, ou daquilo que chamarei de ``geologia abstrata``. A mente e a terra encontram-se em um processo constante de erosão: rios mentais derrubam encostas abstratas, ondas cerebrais desgastam rochedos de pensamento, idéias se decompõem em pedras de desconhecimento, e cristalizações conceituais desmoronam em resíduos arenosos da razão``. | ||||||||
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